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Governo desapropria uma parte da Praia Grande para UFF
Descrição
A reportagem anuncia que o Presidente da República, Ernesto Geisel, assinou um decreto desapropriando uma área do aterro de Niterói (do trecho entre o Canto do Rio e a Praia Vermelha) para a construção do campus definitivo da Universidade Federal Fluminense (UFF).
Data
novembro 11, 1977
Veículo
Transcrição do texto
Governo desapropria uma parte da Praia Grande para a UFF
O Presidente Ernesto Geisel desapropriou ontem uma extensa área do aterro central de Niterói — do cais-do-porto defronte ao clube Canto do Rio até à Praia Vermelha, junto ao 3º Regimento de Infantaria e Guarnição de Niterói e São Gonçalo. No aterro vai ser construído o campus da Universidade Federal Fluminense. O decreto n.º 80.683 deverá ser publicado no Diário Oficial de hoje.
A Reitoria reivindicava a área desde o Governo Raimundo Padilha para a construção do campus universitário, a fim de instalar quase todos os seus cursos. Os projetos já estão prontos e as obras deverão ser iniciadas no próximo ano.
A área, no Aterro Praia Grande, está localizada entre o Valonguinho e a Praia Vermelha e deverá ser dividida em três áreas — A, B e C. A primeira, onde funcionará a parte de Ciências Biológicas, terá uma área construída de 51 mil metros quadrados, ficando isolado deste setor o Hospital Universitário Antônio Pedro (que continuará funcionando na Rua Marquês de Paraná) e o Instituto de Faculdade de Veterinária, que ficaria localizado na zona rural.
A segunda etapa seria formada por uma área integrada da Reitoria e Ciências Humanas e Sociais, Letras e Artes, além de uma área destinada à prática de esportes pelos estudantes e, também, pela comunidade. Nesse espaço seriam localizados casas de espetáculo — cinema e teatro e, em seu complexo total, ocuparia uma área de 210 mil metros quadrados.
A terceira fase ficaria localizada na Praia Vermelha, com 186 m², onde seriam instalados os setores de Ciências Exatas e Tecnológicas e mais seis departamentos da Reitoria. Em todo projeto, está prevista uma área verde de 300 mil metros quadrados. Os prédios de dois e três andares na área de Ciências Humanas, de quatro nas Ciências Exatas e Tecnológicas e de seis da Reitoria, seriam contínuos, situados à margem de uma via principal de acesso ao Campus.
O campus terá uma capacidade para 20 mil alunos, nos cursos de graduação e de três mil alunos em pós-graduação. A estimativa total do preço da obra é de Cr$ 500 milhões. Uma verba de Cr$ 63 milhões vai ser aplicada em 1978, como programa de emergência, na conclusão das obras do Instituto de Química e Ciências Humanas e no início das construções do Centro Tecnológico.
A construção, segundo um projeto elaborado por uma equipe especializada dirigida pelo professor João Trajano da Costa e integrada por universitários, terá a duração de cinco anos e somente em 1982 estaria concluída. O Escritório Técnico do Campus foi criado pela Universidade Federal Fluminense especialmente para essa finalidade.
Todos os planos básicos já estão prontos, e, a maior preocupação dos técnicos, foi manter uma linha arquitetônica da maioria. Por isso, é que as áreas de lazer do campus ficarão num plano mais voltado para a comunidade, à qual, poderá utilizá-los para a sua recreação. Cada departamento de ensino contará com um teatro com capacidade para 100 lugares, mas haverá um central com 300 lugares e um cinema com 500. As quadras de esportes deverão ser utilizadas pela população no horário livre — quando não for ocupadas pelos estudantes.
A evasão de recursos em decorrência do fluxo, com todas as fontes e corretores dirigidos para o Rio de Janeiro coloca-se com a decadência de Niterói de capital para cidade interiorana, carente de recursos inclusive o presidente do Programa de Expansão e Melhoria das Instalações do Ensino Superior, E, catalisava: somente transformando Niterói num setor cultural vasto poderá reerguer-se o movimento de antes, inclusive comercial. Um fator primordial para a sua transformação em polo cultural é a sua tradicional característica de cidade residencial.
As construções planejadas pela Equipe do Escritório Técnico do Campus deverá obedecer a um sistema modular, no lugar do convencional, sem padronização, dentro de um método racional e inteligente, objetivando uma economia de tempo e de dinheiro.

