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Título
Niterói voltou a crescer
Descrição
A reportagem analisa a recuperação e o crescimento do mercado imobiliário e da construção civil em Niterói, após atravessar um período crítico de retração no primeiro semestre de 1975. O setor voltou a bater recordes com a vinda de empresas de venda e construção do Rio de Janeiro, que passaram a investir massivamente na capital fluminense após a construção da Ponte Rio-Niterói
Data
março 14, 1976
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Transcrição da Matéria
[Legenda da foto inferior]: As casas velhas voltam a dar lugar aos edifícios.
[Textos em destaque no topo]: > O primeiro semestre de 75 foi difícil. Mas no segundo semestre o comércio imobiliário já estava em recuperação. E agora ele retoma todo o seu vigor, batendo recordes. Hoje a procura é muito maior do que as ofertas.
O surto imobiliário de Niterói começou com o chamado período de integração com o Rio, em consequência do início da construção da Ponte. Em 70/73 foram construídos 252 edifícios na cidade, mais da metade junto à Praia de Icaraí.
NITERÓI VOLTOU A CRESCER
Depois de atravessar um período extremamente crítico, como consequência de uma série de fatores políticos e econômicos e que teve seu auge no primeiro semestre do ano passado, o comércio imobiliário de Niterói começa, aos poucos, a se recuperar e até surpreender profissionais ligados ao setor. As empresas imobiliárias vêm batendo recordes sistemáticos nas vendas.
A balança do mercado, hoje, está desequilibrada: "a procura de imóveis é superior em 50 por cento à oferta", estima o Sindicato dos Corretores de Imóveis. "Por isso, agora é o momento de se construir novamente", diz o presidente da entidade, Antônio Rocha de Sousa, diante de uma perspectiva promissora.
O mercado imobiliário de Niterói, tanto em termos de vendas e locação como de construção, percorreu vários caminhos nos últimos cinco anos, antes, durante e depois da fusão dos dois antigos Estados e da inauguração da Ponte Costa e Silva. Para alguns, no entanto, esses dois fatores não foram determinantes, "como se costuma pensar".
Primeiro, o surto
Há cinco anos, quando a fusão dos Estados do Rio e Guanabara já era fato consumado, mesmo antes de sua efetivação legal, Niterói viveu num clima de especulação imobiliária bastante exagerado. No período de 1970 a 1973, por exemplo, foram construídos em Niterói 252 edifícios. A maioria em Icaraí: 52,3 por cento.
Numerosas empresas de venda e construção imobiliária, vindas do Rio de Janeiro, instalaram-se na Capital do antigo Estado do Rio. A Júlio Bogoricin talvez seja o maior exemplo. Os atrativos de Niterói, durante esse período, foram amplamente divulgados pelos veículos de comunicação, até de outros Estados.
Os empresários descobriam, na época, que poderiam fazer grandes empreendimentos também nas áreas mais afastadas do perímetro urbano, como as praias litorâneas de Piratininga e Itaipu e o bairro de Pendotiba, hoje já bastante sofisticado, embora sem infraestrutura.
A cidade, contudo, começou a sofrer um processo de crescimento exagerado, "sem uma ordenação adequada do uso do solo", como passou a protestar um grupo de arquitetos urbanistas. No início do ano de 73, a questão chegou à Câmara de Vereadores: o vereador Adilson Lopes apresentava o Projeto 36, limitando o número de pavimentos dos edifícios em cinco, durante os próximos cinco anos. Adilson Lopes se baseava no fato de que Niterói não possuía condições de infraestrutura, especialmente em termos de saneamento, para suportar "todo aquele surto imobiliário".
O arquiteto Ferdinand de Moura Rodrigues, há dois anos, quando ocupava o cargo de presidente do Instituto Brasileiro de Arquitetura, seção RJ, falava da "incapacidade de atendimento de infraestrutura básica (vias de comunicação, água, esgoto), porque os governos se esforçam para sua solução através de correções setoriais, e não das que seriam apontadas por um planejamento urbano". Denunciava também "a ocupação do solo urbano desequilibrada, com vazios ociosos".
Hoje, o arquiteto Ferdinand é integrante da Coordenadoria de Desenvolvimento e Planejamento Urbano de Niterói, da Prefeitura, e participou da elaboração do Plano Diretor.
Depois, a expectativa
De repente, esse surto era interrompido, mais ou menos na época em que a Ponte Rio Niterói acabava de ser entregue ao tráfego e a fusão já era inevitável. As opiniões sobre o que levou a essa interrupção brusca na "febre" imobiliária se dividem.
Para o presidente do Sindicato dos Corretores de Imóveis de Niterói, Antônio Rocha de Sousa, "a cidade depois da Ponte e da fusão (um ano mais tarde) passou a viver num clima de expectativa, diante de um possível esvaziamento, o que foi apregoado, com Niterói deixando de ser Capital".
O presidente da entidade diz que "também a crise registrada na construção civil, na época, com a escassez e consequente aumento no preço da matéria-prima, foi uma das causas para a queda nas vendas de imóvel em Niterói".
Mas o presidente da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário de Niterói — AEMIN —, Mário Rozenwajg, afirma que a crise foi um reflexo imediato da escassez e alta excessiva dos preços da matéria-prima.
— Nós, em boletim da AEMIN de setembro de 73, prevíamos a iminência da crise na construção civil.
O Boletim da entidade dizia, num dos trechos: "Hoje, um fantasma ronda o empresariado, inquietando e amedrontando os mais experientes. Fato é que no período de Julho/72 a julho/73 o aço aumentou 140%, a madeira 120%, o fio 100%, e assim sucessivamente e nestas ordens de grandeza para os outros materiais."
